Resenha crítica do
artigo: A
EVOLUÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DO JUDÔ:
PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES (1999).
Orozimbo
Cordeiro Júnior*
Marcelo
Guina Ferreira**
Anegleyce T. Rodrigues
O artigo apresenta uma
ótica crítico-superadora sobre a metodologia de ensino do judô como um elemento
da cultura corporal da educação física. A abordagem crítico-superadora parte de
uma análise de poder e dominação de nossa sociedade, para que o aluno
deve desenvolva uma reflexão coerente onde é necessário apropriar-se do
conhecimento científico e confrontá-lo com os saberes que o aluno traz de seu
cotidiano, tendo como eixo a constatação, interpretação, compreensão e a
explicação da realidade social complexa e contraditória (SANTOS e GOMES 2009
citado por JÚNIOR Et. AL 1999).
A partir dessa visão, os autores do
artigo tentam apresentar uma proposta para superar os atuais arranjos de ensino
do judô que tem despojado de suas características culturais caracterizando-se
por um ensino exclusivamente técnico, compreendendo os aspectos sociológicos e
históricos do judô, é proposto que deve ser ensinado o movimento do judô na
história não somente técnicas e fundamentos dessa luta nipônica.
Na era Shogun (época feudal) japonesa,
o país isolado geograficamente não possuía bom desenvolvimento tecnológico de
armas, materiais etc, e por possuírem grandes feudos, era necessário a
segurança das terras pelos samurais. Estes samurais praticavam o jiu jitsu como
parte de formação. O objetivo era se preparar para
aplicar golpes contundentes para paralisar o adversário ou até mesmo levar ao
óbito. Para praticar o jiu jitsu não era necessário o uso de implementos como a
espada, por essa razão a pratica da modalidade foi difundida pela classe
camponesa.
Passada essa era Shogun, houve o fim
dos feudos e consequentemente o fim dos samurais, o Japão fazia contato com
outros países e modernizava-se e acabou o sentido de uma luta tão contundente
que poderia levar o praticante a morte. Nessa fase surge o judô, seu precursor
foi Jigoro Kano, que pensou nessa luta como uma mantedora da cultura japonesa
sem que levasse o adversário até a morte.
É nesse sentido que os autores dizem
que deve ser o movimento do judô na história, mostrando que a cultura corporal
não é estática e sim um processo dinâmico. Desta forma idealizado por Jigoro
Kano os fundamentos da modalidade são as projeções, o jogo entre desequilíbrio
e equilíbrio, as imobilizações, as quedas e os rolamentos. Jigoro Kano foi
ministro da educação, além de ser considerado o pai da educação física no
Japão, por sua importância ele conseguiu implantar o judô nas escolas
japonesas.
O Japão torna-se uma potência mundial
e a cultura japonesa começa a ter contato com o mundo ocidental e capitalista por
meio da imigração. Por ser uma potência, os países ocidentais contratavam
emigrantes japoneses para gerar um desenvolvimento tecnológico e modernizar sua
pátria. Os emigrantes japoneses frequentemente praticavam o judô como uma forma
de relembrar sua cultura e a sua terra. Após a modernização e a
industrialização, muitos emigrantes japoneses ficaram desempregados, e para
manter o sustento da família começaram a dar aula de judô para os filhos dos
japoneses e também para os ocidentais. Assim o judô passou a ser uma prática de
cultura corporal difundida em todo o mundo, e assumia um significado social
diferente para cada país.
O judô passou a ser globalizado e
conforme não poderia deixar de ser, a modalidade tornou-se olímpica em 1964 em
Tóquio, e aos poucos, como os autores
criticam, foi perdendo o seu significado sociocultural para se tornar um
esporte de rendimento, de treinamento exaustivo, onde só a vitória interessa, e
é exatamente isso que os autores contestam, o judô como prática da cultura
corporal também pertencente ao Brasil, deve ser ensinada também no âmbito
histórico e sociocultural.
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