terça-feira, 4 de setembro de 2012

Resenha crítica do artigo: A EVOLUÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DO JUDÔ: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES (1999).


Resenha crítica do artigo: A EVOLUÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DO JUDÔ:
PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES (1999).
Orozimbo Cordeiro Júnior*
Marcelo Guina Ferreira**
Anegleyce T. Rodrigues

          O  artigo apresenta uma ótica crítico-superadora sobre a metodologia de ensino do judô como um elemento da cultura corporal da educação física. A abordagem crítico-superadora parte de uma análise de poder e dominação de nossa sociedade, para que o aluno deve desenvolva uma reflexão coerente onde é necessário apropriar-se do conhecimento científico e confrontá-lo com os saberes que o aluno traz de seu cotidiano, tendo como eixo a constatação, interpretação, compreensão e a explicação da realidade social complexa e contraditória (SANTOS e GOMES 2009 citado por JÚNIOR Et. AL 1999).
          A partir dessa visão, os autores do artigo tentam apresentar uma proposta para superar os atuais arranjos de ensino do judô que tem despojado de suas características culturais caracterizando-se por um ensino exclusivamente técnico, compreendendo os aspectos sociológicos e históricos do judô, é proposto que deve ser ensinado o movimento do judô na história não somente técnicas e fundamentos dessa luta nipônica.
         Na era Shogun (época feudal) japonesa, o país isolado geograficamente não possuía bom desenvolvimento tecnológico de armas, materiais etc, e por possuírem grandes feudos, era necessário a segurança das terras pelos samurais. Estes samurais praticavam o jiu jitsu como parte de formação. O objetivo era se preparar para aplicar golpes contundentes para paralisar o adversário ou até mesmo levar ao óbito. Para praticar o jiu jitsu não era necessário o uso de implementos como a espada, por essa razão a pratica da modalidade foi difundida pela classe camponesa.
        Passada essa era Shogun, houve o fim dos feudos e consequentemente o fim dos samurais, o Japão fazia contato com outros países e modernizava-se e acabou o sentido de uma luta tão contundente que poderia levar o praticante a morte. Nessa fase surge o judô, seu precursor foi Jigoro Kano, que pensou nessa luta como uma mantedora da cultura japonesa sem que levasse o adversário até a morte.
           É nesse sentido que os autores dizem que deve ser o movimento do judô na história, mostrando que a cultura corporal não é estática e sim um processo dinâmico. Desta forma idealizado por Jigoro Kano os fundamentos da modalidade são as projeções, o jogo entre desequilíbrio e equilíbrio, as imobilizações, as quedas e os rolamentos. Jigoro Kano foi ministro da educação, além de ser considerado o pai da educação física no Japão, por sua importância ele conseguiu implantar o judô nas escolas japonesas.
            O Japão torna-se uma potência mundial e a cultura japonesa começa a ter contato com o mundo ocidental e capitalista por meio da imigração. Por ser uma potência, os países ocidentais contratavam emigrantes japoneses para gerar um desenvolvimento tecnológico e modernizar sua pátria. Os emigrantes japoneses frequentemente praticavam o judô como uma forma de relembrar sua cultura e a sua terra. Após a modernização e a industrialização, muitos emigrantes japoneses ficaram desempregados, e para manter o sustento da família começaram a dar aula de judô para os filhos dos japoneses e também para os ocidentais. Assim o judô passou a ser uma prática de cultura corporal difundida em todo o mundo, e assumia um significado social diferente para cada país.
          O judô passou a ser globalizado e conforme não poderia deixar de ser, a modalidade tornou-se olímpica em 1964 em Tóquio,  e aos poucos, como os autores criticam, foi perdendo o seu significado sociocultural para se tornar um esporte de rendimento, de treinamento exaustivo, onde só a vitória interessa, e é exatamente isso que os autores contestam, o judô como prática da cultura corporal também pertencente ao Brasil, deve ser ensinada também no âmbito histórico e sociocultural.

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